Necessária para a manutenção do Brasil no topo das
conquistas, vem sendo feita de forma errada há um bom tempo e isso começa a
aparecer agora. Essa seleção que passou o maior vexame da história em 2014 e
não consegue empolgar em 2015 é o reflexo disso, dependemos de uma grande
atuação de Neymar em todos os jogos ou o conjunto do time não rende.
Nomes como Phillipe Coutinho, em excelente fase na Europa
jogando pelo Liverpool, e Danilo, recém contratado do Real Madrid, empolgam
nesse processo de reciclagem, mas ainda é pouco para a montagem de um Brasil como o que ficamos
acostumados a ver. O trabalho nas categorias de base do Brasil é precário porque
visa conquistar títulos e não formar jogadores, que chegam ao profissional
muita das vezes com algum fundamento muito pouco desenvolvido, é comum ver
jogadores cada vez mais velozes mas fracos nos chutes e passes. O trabalho por
aqui também começa tarde, segundo Alexandre Gallo (coordenador das categorias
de base da Seleção), 14 de seus jogadores nunca tinham disputado um torneio
internacional até o sul-americano sub-15 de 2013.
Em outros centros como a Alemanha e os Estados Unidos, esses
jogadores já começam a disputar torneios e a vivenciar o que passa um jogador
de futebol com 8, 9 anos, no Brasil ainda são feitas poucas convocações anuais,
deixando o desenvolvimento do jogador nas costas de seu clube, onde muitas vezes
o trabalho deixa a desejar. Usar nosso maior algoz, que nos fez amargar a nossa
maior derrota da história em pleno território brasileiro e numa Copa do Mundo,
não é vergonha porque os alemães tem uma estrutura fantástica quando se trata
de moldar jogadores, prova disso são Reus, Götze, Toni Kroos e Muller (todos
nascidos entre 89 e 92) se encontrando com os já mais experientes e rodados
Lahm (83), Podolski (85) e Schweinsteiger (84) na seleção e formando um time
espetacular, campeão do mundo merecidamente em 2014. Todos eles jogando juntos
várias vezes desde as seleções de base, montados num mesmo estilo de trabalho e
filosofia, que visa fortalecer os fundamentos básicos do jogo e o entendimento
das táticas usadas e suas funções no campo.
A fórmula para o Brasil voltar a ser a camisa “mais pesada”
do futebol mundial não é difícil, o complicado é nossos dirigentes
compreenderem que seria até mais rentável pra eles, que parecem só pensar na
parte financeira, montar um grande jogador, subi-lo para o profissional,
conquistar títulos com ele e vender por um preço de craque do que vender “projetos”
de bom jogador por um preço ínfimo para aliviar as finanças. Acaba sendo um
tiro no pé e mais uma demonstração do amadorismo na administração do futebol
brasileiro, esperamos, pela saúde do nosso futebol, que esse cenário não demore
a mudar.
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