quinta-feira, 11 de junho de 2015

A renovação do Futebol Brasileiro e da Seleção

Necessária para a manutenção do Brasil no topo das conquistas, vem sendo feita de forma errada há um bom tempo e isso começa a aparecer agora. Essa seleção que passou o maior vexame da história em 2014 e não consegue empolgar em 2015 é o reflexo disso, dependemos de uma grande atuação de Neymar em todos os jogos ou o conjunto do time não rende.

Nomes como Phillipe Coutinho, em excelente fase na Europa jogando pelo Liverpool, e Danilo, recém contratado do Real Madrid, empolgam nesse processo de reciclagem, mas ainda é pouco para a  montagem de um Brasil como o que ficamos acostumados a ver. O trabalho nas categorias de base do Brasil é precário porque visa conquistar títulos e não formar jogadores, que chegam ao profissional muita das vezes com algum fundamento muito pouco desenvolvido, é comum ver jogadores cada vez mais velozes mas fracos nos chutes e passes. O trabalho por aqui também começa tarde, segundo Alexandre Gallo (coordenador das categorias de base da Seleção), 14 de seus jogadores nunca tinham disputado um torneio internacional até o sul-americano sub-15 de 2013.

Em outros centros como a Alemanha e os Estados Unidos, esses jogadores já começam a disputar torneios e a vivenciar o que passa um jogador de futebol com 8, 9 anos, no Brasil ainda são feitas poucas convocações anuais, deixando o desenvolvimento do jogador nas costas de seu clube, onde muitas vezes o trabalho deixa a desejar. Usar nosso maior algoz, que nos fez amargar a nossa maior derrota da história em pleno território brasileiro e numa Copa do Mundo, não é vergonha porque os alemães tem uma estrutura fantástica quando se trata de moldar jogadores, prova disso são Reus, Götze, Toni Kroos e Muller (todos nascidos entre 89 e 92) se encontrando com os já mais experientes e rodados Lahm (83), Podolski (85) e Schweinsteiger (84) na seleção e formando um time espetacular, campeão do mundo merecidamente em 2014. Todos eles jogando juntos várias vezes desde as seleções de base, montados num mesmo estilo de trabalho e filosofia, que visa fortalecer os fundamentos básicos do jogo e o entendimento das táticas usadas e suas funções no campo.

A fórmula para o Brasil voltar a ser a camisa “mais pesada” do futebol mundial não é difícil, o complicado é nossos dirigentes compreenderem que seria até mais rentável pra eles, que parecem só pensar na parte financeira, montar um grande jogador, subi-lo para o profissional, conquistar títulos com ele e vender por um preço de craque do que vender “projetos” de bom jogador por um preço ínfimo para aliviar as finanças. Acaba sendo um tiro no pé e mais uma demonstração do amadorismo na administração do futebol brasileiro, esperamos, pela saúde do nosso futebol, que esse cenário não demore a mudar.

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